OAB Subseção Pelotas

VIOLÊNCIA – ATÉ QUANDO?

publicado terça-feira, 4 de março de 2014 em Notícias

A violência tem sido nossa parceira permanente neste início de ano. Culturalmente aguardamos a chegada de cada ano com ansiedade e expectativa. Expectativa de um ano próspero, cheio de paz e esperanças.

As pessoas reciprocamente ofertam sentimentos de solidariedade, respeito e fraternidade.

Contudo, basta virarmos o calendário que muitos destes desejos se esvaem rapidamente.

Temos vivido um início de ano extremamente violento.

Violência de todos os matizes.

A natureza contemplou nossa cidade e região com uma tragédia natural sem precedentes. Como se estivesse cobrando pelas sucessivas agressões que lhes são impostas pelo modo predador de vida que nossa sociedade assumiu, a mãe natureza, em choro, provocou grande e triste destruição.

De outro lado, o trânsito continua a tirar vidas dia após dia. Não resolvem campanhas educativas, mobilizações, a quase inexistente fiscalização e, sobretudo, os números implacáveis das estatísticas.

Diariamente nos chegam informações de tragédias no trânsito em nossas estradas e logradouros. Famílias destruídas, vidas ceifadas e muita tristeza. E, em regra, a impunidade caminha a seu lado.

Notícias nos dão conta, igualmente, que mesmo antes de encerrarmos o segundo mês do ano, dez assassinatos já ocorreram em Pelotas!

É o descaso com a vida! É a banalidade da existência!

Nesta semana tivemos um “quase” trágico incidente com colega advogado de nossa cidade. Enquanto exercia seu singelo direito ao descanso, dormindo em sua residência, foi surpreendido pela invasão de dois assaltantes os quais, no absurdo do sentimento de que tudo podem, e com a total ausência de temor por eventual atuação repressora, sequer se intimidaram pelo fato de haver alguém dentro do local.

Invadiram, agrediram e quase ceifaram a vida do ilustre, dedicado e querido colega.

Sabe-se que situações como esta, infelizmente, são comuns em nossa cidade. Este não é um fato isolado!

A violência permeia cada bairro e cada rua do nosso entorno!

Porém, não podemos nos resignar que isto seja algo sem alternativa. Nossa capacidade de indignação não pode perecer.

Como sociedade organizada devemos ser capazes de cobrar de quem de direito medidas efetivas para que situações como esta cessem. Senão de imediato, ao menos em médio e longo prazo.

Albert Einsten um dia afirmou que o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.

Nesta frase se vê a síntese do que precisamos: agir.

A sociedade (dita organizada), por intermédio do poder público, em todas as esferas estatais, deve dar um basta.

A violência não pode ser admitida como algo natural, corriqueiro e sem importância!

A reiteração destes fatos não nos deve tornar insensíveis a eles, como se fossem meros casos para ingressar nas estatísticas.

Nossa capacidade de resiliência deve prevalecer.

A Ordem dos Advogados do Brasil, por sua Subseção de Pelotas, estará vigilante e acompanhando tal tema.

Autoridades públicas serão demandadas em todas suas esferas. Atitudes concretas devem ser apresentadas à sociedade. Impõe-se o envolvimento de todos.

Nossas vidas não estão disponíveis para serem apenas mais um número nas estatísticas.

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