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OAB conclui mais um processo do programa OAB vai à Rua – Registro Civil Tardio

publicado terça-feira, 4 de março de 2014 em Notícias

Mais um processo do programa OAB vai à Rua – Registro Civil Tardio, realizado pela Subseção local da Ordem, através da Comissão de Direitos Humanos, se concretizou nesta semana. As advogadas integrantes da Comissão, Marleni Bederode e Natália Caldeira, entregaram na manhã desta sexta-feira (25/09) à jovem Marciane Ribeiro Alves, 23 anos, o tão sonhado mandado de registro civil. De posse do documento ela se dirigiu ao 1º Cartório de Registro Civil de Pelotas para, finalmente, conseguir a certidão de nascimento.

A jovem não escondia a felicidade por conseguir se tornar uma cidadã brasileira, depois de várias tentativas em vão. Ela contou que foi abandonada pela mãe biológica com oito dias de vida ao ser entregue na porta da residência do casal João Albino Rodrigues Alves e Orestina Ribeiro Alves, em junho de 1987. “Ela me deixou lá, pediu que fossem trocando minha roupa que ia buscar leite e nunca mais voltou”, relata. Além dos quatro filhos biológicos o casal ainda cria um sobrinho de João, diz Marciane. Mesmo assim, a jovem esclarece que não vê motivos para sentir revolta e não tem vontade de conhecer a mãe verdadeira uma vez que os pais de criação nunca deixaram lhe faltar nada. “O que vale é o amor e a educação que recebi deles. Quem sabe Deus não permitiu que isso acontecesse por ser um caminho melhor para mim?”, afirma. “Eles mudaram o destino dessa menina. A criaram com amor e carinho”, destaca a advogada Marleni ao lembrar que os depoimentos durante as audiências foram emocionantes.

De acordo com Marciane, a mãe adotiva sempre quis registrá-la, mas nunca conseguiu. Através do programa da OAB, realizado em diversos bairros da cidade no ano de 2008, foi possível dar andamento ao processo. “Agora posso dizer que nasci, que existo. Estou numa felicidade enorme. Sou uma cidadã brasileira”, ressalta. Com o auxílio de uma das irmãs, conseguiu concluir o Ensino Fundamental mesmo sem nenhum documento. Agora vê a chance de voltar a estudar e quem sabe fazer algum curso na área social, conclui ao citar que trabalha no interior do município, cuidando de um casal de idosos.

Com a conclusão desse processo, sobe para 18 o número de casos solucionados pela Subseção local da Ordem, de pessoas que não tinham registro civil. Resta apenas um em andamento, que deverá ser resolvido nas próximas semanas.

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